Para fazer um pouco mais. Sempre

Pouco mais de um mês depois que conseguimos concretizar o que, espero, seja apenas a primeira iniciativa de um projeto afirmativo que pode render ainda, eis que é momento de voltar a conversar.

Creio que é hora de, coletivamente, pensarmos e agirmos mais. Seja com pequenos gestos do cotidiano ou com grandes iniciativas coordenadas.

As últimas notícias não são animadoras. Vistas em rápido retrospecto, tivemos a Câmara de Vereadores da cidade de São Paulo (aquela da maior parada Gay do mundo) aprovando um projeto de Orgulho Hétero – e não preciso discorrer aqui as implicações hediondas de tal iniciativa. E uma outra Câmara de Vereadores, desta vez em São José dos Campos (também estado de SP) apertando o botão de “gostar” em um projeto que, para ser clara, pune a divulgação de qualquer material na cidade que fale daquilo que deveria ser ensinado de berço: respeito ao próximo. A propósito, o texto deste último projeto diz que haverá “proibição de divulgação de qualquer tipo de material, que possa induzir a criança ao homossexualismo”. Para bom entendedor…foi na primeira nota, maestro.

A se somar com as notícias de violência diária que temos não apenas contra gays, mas contra vários grupos minoritários, incluindo essa imensa maioria fora do eixo eurocêntrico, temos um punhado de coisas pra nos abismar, e nosso abismamento costuma pendular entre a resignação e a indignação. A primeira não tem muito a acrescentar, mas a segunda pode ser reciclada em uma energia bem positiva.

De repente, seria legal manter aqui um fórum de ideias sobre, das coisas pequenas às coisas grandes, o que é possível fazer para reagirmos a tudo isso. Desde a militância stricto sensu, a pedir educadamente para sair de um táxi quando o taxista se mostra homofóbico, misógino ou racista.

E, claro, divulgar cada vez mais as boas iniciativas.

Como esta aqui muito bonita chamada Quem São Eles, um projeto que está reunindo depoimento de todas as pessoas, heterossexuais, homossexuais, terráqueas ou marcianas, para falar de seu relacionamento com pessoas que são gays. Ideia simples, que pode ganhar vida maior.

Ou como este simples curta-metragem chamado Três Gotas de Água, que reúne depoimentos de três mães latinas falando sobre seus filhos gays. De chorar de lindo.

Somos juntos em nossas diferenças

Sim, somos muitos universos. E a quem ainda não acredita que um mundo com mais respeito e paz é possível, essa é a resposta que vocês têm a dar.

É hora de, mais uma vez, pedirmos ajuda aqui. Vamos espalhar esse vídeo! Convido todos a replicar essa mensagem em seus blogs, facebooks, twitters e todas as redes sociais possíveis.

Novamente, agradecemos de coração a todos que colaboraram com o projeto, principalmente aos que terminaram não entrando na edição final do vídeo por uma questão unicamente de equação tempo/espaço – o que só prova que somos muito mais!

Ficha Técnica

Edição de vídeo
Carol Almeida
Daniel Ribeiro
Fábio Audi

Pré-edição
Carol Almeida
Daniel Ribeiro
Danilo Saraiva
Fábio Audi
Fabio Leal

Trilha Sonora

Itarumã
(Gustavo Galo / Tatá Aeroplano)

Vozes
Márcia Castro
Hélio Flanders
Tatá Aeroplano
Gustavo Galo

Vocais
Julia Valiengo

Bateria
Pedro Gomgon

Baixo
Felipe Botelho

Guitarras
Tomás Bastos
Cris Scabello

Teclados
Cris Scabello

Guizos
Décio 7
Pedro Gomgom

Kazus
Tatá Aeroplano

Estalos e Palmas
Carol Almeida, Daniel Ribeiro, Décio 7, Tatá Aeroplano

Agradecimentos do Amor para:

Andre Bucuzzi
Cecília Torres
Cleodon Coelho
Dani Arrais
Dani Hasse
Hallina Beltrão
Jaine Cintra
Jean Wyllys
Lucia Teixeira
Marcus Preto
Rafael Gomes
Sarah Oliveira
Silvia Valadares
Trupe Chá de Boldo

Financiado colaborativamente via Catarse

Patrocinado Catarticamente por

Alysson Oliveira
André Oliveira
Anna Claudia Vieira
Caio Couto
Carlos Santos
Chico Lacerda
Clau Monteiro
Clisthenis Betti
Cris Soares
Dani Arrais
Daniel Prestes da Silva
Danilo Saraiva
Diogo Guedes
Fabiana Algarte
Felipe Fernandes
Fernanda Maragnon
Gabi de Queiroz.
Gustavo Estevam
Jean e Dii
Lorena Lucas
Lorena Mascarenhas
Luciane Bessa
Marcio Yonamine
Paula Manzo
Paulo Floro
Pedro Henrique Repula
Priscila Ihara
Raquel Melo
Silvia Valadares
Thiago Kazu
Tiago Carvalhaes
Vagner Andrade
Vanderlei Gadotti

Música produzida no Estúdio Traquitana por Cris Scabello e Décio 7

Edição de vídeo em parceria com Lacuna Filmes e Vista Filmes

Vídeo do projeto #eusougay já tem data de lançamento!

Muitas fotos, cliques, horas não dormidas, expressos e pizzas depois, é com enorme prazer que viemos anunciar o lançamento do vídeo do projeto que nasceu com todos vocês. Anotem aí: o dia é esta quarta-feira, 6 de julho.

Como muitos já devem saber, recebemos entre 12 de abril e 8 de maio cerca de 2.500 fotos de pessoas – amigos, famílias, namorados, namoradas, pais, filhos, e irmãos – segurando uma só mensagem: #eusougay.

Sim, se trata de uma afirmação, de uma postura positiva, solar e feliz. Postura que pessoas de todo o Brasil (e até fora dele) assumiram ao entender que ser gay hoje vai muito além do nome que emoldura uma orientação sexual. Pessoas que, pelo amor e respeito ao próximo, levantaram essa mensagem e mostraram seus rostos.

E foi nessa ideia solar, de abraço e compreensão, que foi construída toda a ideia por trás desse vídeo, desde a música até a seleção de fotos. Sim, porque diante de mais de 2500 imagens, tivemos que fazer uma seleção para que o vídeo gerasse o impacto que queremos e esperamos que ele cause – ainda tenhamos que  feito o possível e impossível para incluir o máximo de fotos, como vocês verão amanhã.

Tendo tudo isso dito, desde já contamos com a ajuda mais uma vez de todos vocês para espalhar novamente essa ideia a partir desta quarta. E que o vídeo toque pessoas que, de outra forma, não entenderiam que juntos movemos montanhas, que juntos podemos sim ser diferentes.

Parabéns a todos vocês por um prêmio importante

Daniel Ribeiro, Danilo Saraiva e minha pessoa, representando vocês

Talvez vocês não saibam, mas neste fim de semana ganharam um prêmio nacional de reconhecimento pelo respeito ao próximo. Sim, porque na noite desta última sexta-feira, o projeto #EuSouGay levou o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, da Associação da Parada LGBT em São Paulo, na categoria internet. E como o projeto #EuSouGay é uma criação de todo mundo que abraçou essa ideia, meus sinceros parabéns!

E que este domingo seja um dia memorável para a Parada Gay em São Paulo, dia de mensagens positivas e afirmativas.

ps.: ok, a foto está meio sem foco (eufemismo), e o Fábio Leal, que também nos ajuda na edição do vídeo, não pôde ir.

Projeto #EuSouGay conta com sua ajuda no Catarse

Tatá Aeroplano e Hélio Flanders na gravação da trilha original do vídeo

Foram mais de 2500 fotos, centenas de mensagens de apoio e até mesmo confissões de história de vida. Nesses últimos meses, o e-mail do projeto #eusougay terminou servindo de catalizador para um sentimento coletivo de respeito mútuo, compreensão, tolerância e compaixão. Vocês nos enviaram imagens e nós estamos agora transformando isso em um vídeo que, esperamos, se espalhe aos quatro ventos.

Como muitos já devem saber, esse vídeo terá uma trilha sonora original, criada para o projeto #eusougay. A música está linda, diz exatamente aquilo que está no centro de tudo que nos moveu até agora. A composição é de Tatá Aeroplano e Gustavo Galo, e quem entrou em estúdio para gravá-la foi a Trupe do Chá de Boldo, os cantores Hélio Flanders, Márcia Castro, além do próprio Tatá Aeroplano e Galo. Todas essas pessoas se dispuseram a trabalhar para o projeto sem pedir absolutamente nada em troca. Até mesmo duas diárias de estúdio conseguimos sem precisar pagar!

Mas agora, nessa reta final, vamos precisar mais uma vez da ajuda de todos, porque para fazer a mixagem e masterização dessa trilha, teremos que desembolsar R$ 1200. Não é muito, mas é fundamental e não temos esse dinheiro em mãos.

Em conversa então com o pessoal do Catarse, conseguimos colocar nossa ideia lá para que qualquer pessoa possa contribuir com a gente e, em troca, estamos oferecendo algumas recompensas bem bacanas, tais como receber antecipadamente a mp3 da música e ter seu nome nos créditos do vídeo.

Para ajudar é muito fácil, eu, Daniel Ribeiro e alguns músicos que participaram da gravação explicamos direitinho no Catarse. Para divulgar, mais moleza ainda: basta sair espalhando a notícia pelas redes sociais, telefonemas do amor, conversas de bar. Temos até o dia 1º de julho para captar todo o dinheiro e queremos jogar o vídeo na internet logo depois disso.

Porque se #somosgays, #somosjuntos.

PROJETO #EUSOUGAY CONTA COM SUA AJUDA NO CATARSE.

Entrando em estúdio… estamos quase lá!

Olá! Estamos há algumas semanas em processo de pré-edição do vídeo, ou seja, organização das milhares de fotos enviadas por vocês. Estamos cada vez mais orgulhosos de todos que colaboraram.

Nesta terça-feira (21) entraremos em estúdio para gravar a música que foi composta especialmente para o projeto. Quem criou tudo foram os músicos Tatá Aeroplano e Gustavo Galo, nossos quase “irmãos-gêmeos-ativar” da música solar paulistana.

Queremos ter esse vídeo pronto até o fim deste mês, com o prazo máximo da primeira semana de julho. Portanto, estamos quase lá. Vamos espalhar essa mensagem pela internet, festivais, palestras e todo tipo de apresentação que fale em nome dos direitos humanos.

Ainda nesta terça-feira, trago mais novidades para todos.

A nova participação cívica da sociedade “amadora”

Antes de mais nada, mil perdões pela ausência aqui do blog, mas precisávamos de um tempo para organizar tudo que vocês mandaram e dar uma resposta sobre o andamento do projeto. Terminamos de catalogar todas as milhares (sim, porque foram milhares) de fotos enviadas ao nosso e-mail e estamos agora no processo de produção da trilha sonora do vídeo. Terminada e gravada a música, vamos entrar em ilha de edição. Eu sei, leva tempo, mas o resultado precisa estar à altura da colaboração de vocês. A lembrar que vocês ainda podem se fazer presentes no projeto postando suas fotos em nosso TUMBLR.

É preciso dizer, no entanto, que toda a ideia por trás do #eusougay, de como surgiu e até onde chegou (e chegará), me parece fazer cada vez mais sentido em um Brasil que todo dia é pautado por temas como homofobia, misoginia, antissemitismo e medo dessa #gentediferenciada.

O que me leva a perguntar: fomos dormir tranquilos e acordamos em uma realidade paralela, agressiva e hostil? Ou passamos todo esse tempo dormindo diante dessa realidade? Por experiência própria, sou levada a acreditar que a segunda pergunta soa mais coerente e digna de resposta.

Digo isso porque iniciativas como o #eusougay e o próprio churrasco da #gentediferenciada que aconteceu em São Paulo neste último sábado apontaram para uma só direção: que as redes sociais estão ajudando um nunca antes visto compartilhamento de ideias e opiniões que, de todos os lados, sendo água ou óleo, emergem à superfície desse copo que é bebido em largos goles pela mídia convencional. Esta, por sua vez, realimenta e legitima toda a discussão. E, acreditem, a agressividade da ignorância humana diante de sua condição humana pode até nos parecer nova diante dessa enxurrada de fatos e artigos, mas não é. Nem no mundo e muito menos no Brasil, o país do “homem cordial”.

O ódio, esse específico da intolerância diante das minorias, que vemos agora ser disparado em frases no Twitter, em piadas de humoristas bem sucedidos, em deputados espertinhos que estão ganhando mídia a troco de sua ignorância, é algo que vem sendo esquentado em fogo baixo desde antes do 11 de Setembro, quando os debates sobre intolerância de identidades se reduziam aos grupos de estudos acadêmicos e à turma que lia Homi K. Bhabha.

Após o 11 de Setembro, esse ódio, de tudo, de todos, foi ganhando contornos de preocupação política global e local. Vimos, pela televisão, o ódio ferver. Mas agora vemos e vivemos, na internet, o ódio explodir quente em nossa pele. E tudo isso porque estamos dispostos a deixar de ser meros espectadores desse mundo que antes parecia ser mais um aquário.

Porque agora nós temos o Facebook, o Twitter, o SMS e todos os mecanismos tecnológicos para mostrar ao mundo nossas fotos, estilo de vida, música que gostamos, frases de efeito que adoramos. Nosso lazer é nossa exposição. E não queremos nos mostrar apenas para os próximos, porque divertido mesmo é se revelar para os estranhos. Não se sabe os efeitos disso na vida privada de cada um. Mas está mais do que claro para o bem cívico público, isso é sensacional e espetacular!

Se por um lado essas tecnologias deixam mais latentes a estupidez de um grupo descoordenado de pessoas cujos nortes ideológicos são instituições moralmente falidas, elas ajudam a emergir uma compaixão pelo próximo, esta sim organizada, ainda que não liderada. Mesmo que este próximo seja, assim, diferente de você. Sofremos hoje no País de um analfabetismo humano crônico, de gente que não aprendeu em casa, na escola, ou no trabalho, que respeitar é preciso, viver não é preciso.

Que vivamos, imprecisamente, essa feliz prosmicuidade do compartilhamento de ideias que ajudem e construam. Que essa seja a zeitgeist de nossa geração. Porque quem pode fazer acontecer agora é toda a sociedade civil, essa amadora na produção de informação. A lembrar que amador vem do latim “amare”, ou seja, amar. Nossa motivação vem do amor que temos, e nada pode passar incólume a isso.

Ou vocês acham que a recente decisão do STF foi algo que surgiu naturalmente do iluminismo de seres esclarecidos? Ou acham que o governo de São Paulo não se sentiu extremamente incomodado com o churrasco da classe média bem vestida que pode e deve protestar em nome de todos?

Pela resposta que estamos dando a tudo isso, posso afirmar, mesmo ainda um tanto quanto pessimista com os sistemas que regem a humanidade, sou muito otimista com todos nós. Quem sabe essa nossa predisposição para se expor e vigiar os outros não nos ajude a entender que, de fato, somos. Funciona assim numa sessão de terapia. Pode funcionar na rede coletiva.

E, de repente, aquela frase tão popular em adesivos de carro – “não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho” – aos poucos pode se tornar algo de dimensão mais complexa. Vai que, entendendo quem somos, possamos um dia colar no vidro: “Não sou tudo que amo, mas amo tudo que sou”.

Tenham um feliz dia feminino

Moças e rapazes de todas as idades, neste Dia das Mães, deixo vocês com este cartaz mega feminino de Hallina Beltrão. E lembrem-se: hoje é o último dia para enviar sua foto para o projetoeusougay@gmail.com (dica: aproveitem esse dia de reunião familiar e invistam na produção coletiva!).

O amor que não ousa dizer seu nome

Dia 5 de maio de 2011. Dia de dar parabéns para o Brasil. Dia em que, por unanimidade, a cidadania venceu o medo, e a Constituição deu uma rasteira na ignorância. Como muitos já devem saber, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. E ainda que a decisão final tenha sido o mais importante avanço na conquista dos direitos da comunidade LGBT – e é preciso avançar muito mais – confesso que o processo até esse resultado ser declarado foi, na minha opinião, o que houve de mais gratificante nisso tudo.

Me apaixonei por homens e mulheres que, com suas respectivas togas, criaram discursos históricos sobre direitos humanos. E, dentre todos esses discursos, poucos me emocionaram tanto quanto o do Procurador do Estado do RJ, o advogado e professor Luís Roberto Barroso. Deixo com vocês o argumento na íntegra dele, cujo desfecho é de arrepiar.

Todo mundo junto aqui e agora

E com vocês, mais um cartaz para o projeto, desta vez pela mega talentosa Daniela Hasse.

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